segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Semeadura



Já parou pra pensar na quantidade de gente que o mercado ilegal de drogas emprega? A economia movimentada em torno da produção, distribuição e consumo? Uma rede de milhões de pessoas se beneficia desse negócio. Numa ponta da linha produtiva, o agricultor que fatura com sementes e mudas de coca e maconha. Na outra ponta, o traficante que entrega o produto manipulado nas mãos do consumidor.  Paralela à “linha de montagem”, cresce a indústria da insegurança. Empresários fabricantes e comerciantes de armas e munições; políticos gananciosos e seus tráficos de influências por verbas milionárias prometidas para o combate; seguradoras, policiais civis e militares donos de empresas de vigilância e segurança; criminosos de farda e distintivo, fabricantes de blindados, grades, cadeados, alarmes, câmeras; a mídia que ganha fortunas na exploração do problema em seus produtos de informação e entretenimento; enfim... Todos nós, consumidores ou geradores de alguns desses produtos ou serviços.  A violência é nossa responsabilidade. Drogados ou não.
Sobrou coesão social, hegemonia de pensamento e atitude na hora de torcer pela escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas em 2016. Também não nos falta disposição na hora de vibrar pelo time do coração, de viver a ilusão do carnaval, de festejar, brincar, zoar, tranzar sem parar. Por que então, é tão difícil mobilizar a sociedade para algo que também é um desejo de todos – A redução da violência? Se nada fizermos, nossa sociedade não retornará desse mergulho no primitivismo das sensações baratas, fisiológicas, irracionais, hedonistas. Uma civilização incivilizada, cuja maioria desumana, só preza pela riqueza material, as aparências, a futilidade, o egoísmo, o orgulho, a desonestidade, a preguiça, a inveja, o rancor, a vingança, a maldade, a ignorância, a covardia...
Vamos começar por abalar a economia do tráfico de drogas. Pare de fumar. Pare de cheirar. O destino do tráfico está, principalmente, nas escolhas do consumidor. Muitos, não viciados o bastante, conseguiriam absterem-se do baseado ou da carreira de cada dia, se assim decidissem. Para os dependentes químicos talvez a renúncia seja mais difícil, mas não impossível. Estou convencido de que vivemos não somente sob a lei natural da gravidade, mas também da lei natural de ação e reação. O que plantamos, colhemos.
Que semente você está plantando?

Um comentário:

  1. O teu blog está bacana! Gostei das últimas postagens. E o texto, como sempre, bom demais de se ler. Sou a primeira a seguir...rsr.
    Bjs.

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