sábado, 24 de novembro de 2007

A ciclovia e o juizado


Hoje, um honrado advogado me abriu os olhos para uma culpa oculta, no caso do italiano esmagado por um ônibus em Ipanema, na segunda-feira, 20 de novembro.

Talvez Georgio ainda estivesse vivo, não fosse o inconseqüente projeto da ciclovia na orla carioca.

Tal advogado me deu o "toque". Um renomado engenheiro de trânsito, endossou a tese.

A velocidade limite de 70 km por hora na pista mais próxima da praia é absurdamente alta. Facilitou a morte do italiano e é um risco constante para todos que caminham ou pedalam por alí!

Explico: Apenas um magro canteiro de apenas 30 centímetros de largura com pouco mais de 20 centímetros de altura separa a ciclovia da pista dos veículos motorizados. Por que não há uma mureta de proteção? Porque o visual da praia não pode ser prejudicado? Hipocrisia? Incapacidade? Omissão?

Tem mais... A ciclovia deveria estar mais próxima da praia, e não tão colada na pista por onde circulam ônibus e outras possantes máquinas mortíferas.

Tento extrair lições deste fato lamentável que começou com o furto de um cordão de ouro por um ignorante inconseqüente e terminou com a morte de um filho tentando salvar a dignidade do pai:

1. Ladrões são como moscas. "Você mata uma e vem outra em meu lugar", cantava Raulzito.
São filhos de Deus obrigados a crescer no cocô imoral evacuado pelo descaso político, a falta de educação, de emprego e projetos de futuro promissor nesta nação surreal.

2. Georgio, o italiano que se atracou com o ciclista ladrão, não tentou resgatar a jóia do pai pelo seu valor monetário; mas tentou salvar, mesmo que inconscientemente, o direito do pai em andar pela rua, livremente, como a constituição deste país prevê;

3. A prefeitura do Rio de Janeiro está mais preocupada com a estética da protegida zona sul do que com a segurança de quem a humaniza. E a prova é a ciclovia mal construída. Uma roleta russa permanente. A qualquer momento, outros 'Georgios" podem cair na pista diante de ônibus e carros. Outros carros e ônibus podem perder o rumo e invadir a ciclovia. Strike!

4. Por fim... A irresponsabilidade de nossas varas de infância que não dão suporte às famílias desses jovens desajustados. O juizado tem obrigação de assessorar tais marginalizados com psicólogos capazes de conscientizar os pais de menores de idade "apreendidos", para que os mesmos não voltem a cometer delitos.
Foi o caso de Rodrigo "tico 157", ex-traficante do Cantagalo que roubou um bicicleta e depois o cordão de ouro do pai italiano.

É o mesmo rapaz, que em 2004, ainda menor, foi "apreendido" em Copacabana, acusado pelo mesmo delito. Solto, comprovou o que aqui foi dito sobre o juizado da infância.

O jovem se entregou a polícia uma semana depois do crime. Alegou que estava sobre a influência de demônios. Não há dúvida disso. Agora que o assaltante está preso, os demônios vão atazanar outro ignorante de índole perversa. 

No campo de "força ódica", estudado pelo Barão Karl von Reichenbach no século XIX, os semelhantes se atraem.

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