sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

BANDIDO vs. BANDIDO

Li o seguinte no blog de um ex-prefeito do Rio:


Existem cinco fatores que permitem que se preveja qual dos oponentes sairá vencedor:

a) aquele que sabe quando deve ou não lutar
b) aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo
c) aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas
d) aquele que está bem preparado e enfrenta um inimigo desprevenido  
e) aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere.


Penso que já havia lido algo parecido no livro “A Arte da Guerra”. Independente de quem seja o “Santo”, mais vale o “milagre”, e ele me parece oportuno para uma breve análise sobre a relação polícia & bandido, no Rio de Janeiro. Não sou especialista, mas um bom ouvinte de quem entende do assunto. Vou seguir as etapas:


a) “aquele que sabe quando deve ou não lutar”
Apenas a Polícia Civil e as tropas de elite da PM dispõem de conhecimentos táticos adequados para o avanço sobre o território inimigo, no caso, as trincheiras “invertidas” dos traficantes no alto dos morros e favelas planas. Estes grupos sabem que a chance de ingressar no território inimigo sem colocar em risco a vida de inocentes é zero. Coisas da guerra. Teoricamente, senso de prevenção, cautela e respeito à vida fariam com que os comandantes destas tropas deixassem as forças ostensivas de fora de tais campos de batalha urbana. Portanto, quem não tem nada a perder, e está sempre pronto para disparar o gatilho, como os bandidos, tem o “quando” como vantagem. Um a zero para eles.


b) “aquele que sabe como adotar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo”
A “arte militar” recomendou que a polícia se utilizasse de helicópteros. Maneira de ficar acima do tráfico, e compensar a desvantagem estratégica em relação a quem está no alto dos morros. Mas helicópteros são fáceis de serem abatidos quando parados no ar e ao alcance das poderosas armas de guerra antiaéreas que os traficantes do Rio possuem. Vide o que aconteceu no Morro dos Macacos. Melhor seria investigar o derrame de armas pelas fronteiras, fiscalizar e punir policiais corruptos que levam armas e munições ou permitem que cheguem até as quadrilhas. A superioridade bélica dos criminosos em relação às polícias fala por si. Dois a zero para os bandidos.


c) “aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo   com suas propostas”
O corporativismo das polícias do Rio de Janeiro não funciona para o combate à corrupção interna. Há muita omissão, ocultação de fatos diante da imprensa, compromissos econômicos escusos, conflitos de egos e poder. Herança rançosa encravada na alma do funcionalismo público, burocrático e conservador de uma ex-capital federal que não se abre para reformas internas nem revisa conceitos arcaicos de dominação. A proposta das polícias tem fundo político. Visa diminuir estatísticas de crimes. Maquiagem diante de luzes e câmeras. Propaganda enganosa sobre avanços na segurança pública com banners ao fundo. Qualquer semelhança com o merchandising em entrevistas coletivas de futebol não é mera coincidência. Muita fachada, pouco conteúdo. Nessa os bandidos do morro perderam para os colarinhos brancos.


d) “aquele que está bem preparado e enfrenta um inimigo desprevenido”
Apenas uma minoria policial está bem preparada, consciente de sua importância numa sociedade que busca a verdade, a justiça e o humanismo. Estes raros são mais que bons profissionais. São exemplos de cidadãos conscientes. Quanto ao inimigo... Este raramente está desprevenido. Conta com as armas letais da impunidade e a corrupção. Goleada dos bandidos.


e) “aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere.
Será que os comandos das polícias cariocas são corajosos o bastante para questionar decisões políticas do governador, pagador de seus salários e dono do canetaço que pode exonerar ou transferir o rebelde para a delegacia ou o batalhão de Caixa-Prego? É evidente que a autoridade policial superior precisa de independência para agir conforme a lei determina e as necessidades exigem, sem interferência de decisões meramente partidárias e eleitoreiras. Creio que, enquanto toda essa atual estrutura não passar por uma profunda revolução, o oponente vencedor sempre será a bandidagem, esteja de que lado estiver nessa guerra.

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