quinta-feira, 21 de maio de 2009

Você acredita no Ibope?


Conversei com um entendido em estatística e ele me disse o seguinte:
A medição instantânea de audiência das TV´s abertas, realizada no Rio e em São Paulo, é distorcida e incompleta. 

A pesquisa é quantitativa. Só mede o número de televisores ligados. Não mostram se há alguém na frente. Não é uma pesquisa qualitativa. O aparelho não diz o que o espectador pensa sobre o que vê.A amostragem é muito baixa. Apenas 450 "people meters" do Ibope espalhados em residências da região metropolitana do Rio é muito pouco diante de 2 milhões de moradias.  A ciência estatística determina confiável, uma amostragem de pelo menos 3%. No universo citado acima, o ideal seriam 60 mil aparelhos de medição instantânea de audiência. 

É claro que o Ibope não irá investir tanto. A pesquisa ficaria muito cara.
Além do mais, se a audiência televisiva fosse levada a sério, o IBGE, maior instituto de estatística da América Latina, cuidaria disso. Aliás, acho que até deveria. Assim, um governo ético, preocupado com a mensagem que milhões de brasileiros assimilam pela TV,  poderia controlar o que as emissoras andam exibindo em suas programações. 
O Ministério das Comunicações deve zelar pela qualidade dos programas exibidos nesse serviço concedido a empresas privadas.
Se bem que o atual ministro dessa pasta já foi correspondente internacional do canal de TV que há muitos anos se abastece dos números gordos registrados pelo Ibope.

Desse jeito, a medição instantânea serve apenas como ferramenta de marketing.  Na prática, a pesquisa faz que conta a verdade e os anunciantes fazem que acreditam.
Quase todos ganham. O Ibope, as emissoras de ponta, os anunciantes, os marqueteiros... 

Menos os espectadores manipulados por essa ilusão... Farsa para alguns.

Exemplo:

BRASILEIRÃO 2009 VALE MAIS DE 700 MILHÕES DE REAIS NA TV?

                   

(blog do JJ). Pelo pacote de TV aberta, a TV pagou R$ 220 milhões ao Clube dos 13 - entidade que negocia os direitos de transmissão do torneio. O valor pode ser elevado caso a audiência média dos jogos seja superior a 21 pontos no Ibope, sendo que cada ponto extra vale cerca de R$ 1 milhão. De olho em toda a temporada de futebol transmitida pela TVG e principalmente no Campeonato Brasileiro, os patrocinadores Vivo, Casas Bahia, Itaú, Volkswagen e AmBev renovaram suas cotas por R$ 121 milhões cada (605). Já o canal de TV fechada SporTV comercializou as seis cotas de patrocínio do pacote Futebol 2009 pelo valor de R$ 24 milhões cada (144). Os compradores foram AmBev, Fiat, HSBC, Ipiranga, Telefônica e Vivo. A Visa adquiriu uma cota diferenciada para o top de cinco segundos.

Um comentário:

  1. Se a intenção foi comparar a audiência das emissoras, o método quantitativo é oportuno. O objeto é que determina o método de pesquisa a ser aplicado.

    Depois de um determinado nº de entrevistas, a proporção é a mesma, por isso (e por economia) se estuda apenas uma amostra. Quanto menor o universo, maior é a amostra (o contrário tb), mas você tem toda razão, menos de 3% é pouco.

    Como jornalista prefiro a pesquisa qualitativa, pois lidamos com pessoas. Seres humanos não se restringem a um nº de opções previamente estabelecidas. Há necessidade de opnar, de sugerir idéias de demonstrar satisfação ou insatisfação.

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